Existe mil Deuses em mim

Esses dias, me fizeram uma pergunta simples, que, há algum tempo, a resposta seria imediata. Porém, dessa vez, eu travei. A pergunta era: “Qual a sua religião?”

Pois é! Qual a minha religião?
Depois de muito refletir, cheguei à conclusão de que seria injusto com as religiões — e comigo mesma — dizer que tenho uma religião, mas também seria injusto ignorar os fragmentos de umbanda que existem em mim.

Já fui muito religiosa, mas hoje tenho em mim múltiplas formas de sentir, experienciar e viver o sagrado. Uma verdadeira mistura de elementos dentro do meu caldeirão. Quanto mais adentro meu universo particular, meu subconsciente, minha alma, mais me encontro com o divino que existe fora e, ao mesmo tempo, dentro.
Acredito que o mais próximo que vivo de uma religião é o que eu chamaria de “Espiritualidade de Umbanda”, e todo o restante foram ritos, deuses e meu jeito de ser que se juntaram a isso.

Existem tantos deuses, e cada um representa aspectos diferentes da minha própria existência; como poderia cultuar apenas a um? E, ao mesmo tempo, todos se unem e formam o Todo.

Em alguns momentos, me lanço nos braços acolhedores de uma deusa mãe, que me envolve em seu amor incondicional. Outras vezes, me vejo diante da imponência de um deus guerreiro, que me inspira a enfrentar os desafios da vida com coragem e determinação. Há momentos em que busco a sabedoria de um deus ancião, que me guia com sua experiência e discernimento.
E ainda há espaço para a reverência aos deuses da natureza, que me lembram da interconexão entre todos os seres vivos.

Ahhh, são tantos e todos tão vivos… Assim, através da conexão com essa variedade de divindades, encontro um caminho rico e multifacetado para vivenciar o divino em mim.