Há quem se sinta profundamente ameaçado pelo simples fato de alguém pensar diferente. Não precisa haver confronto direto, nem invasão de espaço, basta existir uma outra forma de viver, uma outra maneira de sentir o sagrado, para que se acendam alarmes de defesa e condenação. E quanto mais livre for essa forma, mais perigosa ela parecerá aos olhos de quem ainda não compreende que o sagrado não se resume a uma estrutura, a um rito, a um nome.
Vivemos em um mundo onde é mais aceitável seguir cegamente uma doutrina do que confiar na própria consciência. Onde a obediência é confundida com fé, e o medo se disfarça de zelo espiritual. Quando alguém decide trilhar um caminho espiritual sem intermediações, sem medo de errar, sem dogmas que limitem sua escuta interior, esse alguém, inevitavelmente, irá incomodar. Porque a liberdade espiritual confronta as prisões que muitos nem sabiam que habitavam.
Nos últimos dias, publiquei um vídeo convidando pessoas que acreditam em uma espiritualidade livre a me acompanharem. Só isso. Um convite. Uma mensagem direcionada a quem sente que esse caminho pode fazer sentido. E, ainda assim, o vídeo despertou a fúria de quem não sabe passar adiante o que não lhe serve. Fui chamada de irresponsável, acusada de propagar perigos, de atrair “eguns” para os outros, como se ouvir a própria alma fosse um ato perigoso. Como se o silêncio e a escolha pessoal fossem ameaças a um sistema que exige controle.
O que me espanta não é a discordância. O que entristece é a ausência de educação. A dificuldade de simplesmente respeitar o espaço do outro, de seguir o próprio caminho sem precisar atacar o alheio. Em nenhum momento invadi o território de ninguém. Não entrei em templos para pregar minhas verdades. Não desautorizei crenças. Falei apenas com quem se sentiu tocado. O que revela o ego inflamado de quem se ofende com isso não é zelo, é a necessidade de controlar o que não compreende. E isso, sim, é perigoso. Porque é assim que nascem os julgamentos que matam a liberdade e empobrecem a experiência espiritual.
É preciso lembrar que respeitar o espaço do outro também é espiritualidade. Que a educação é um valor sagrado. Que não há luz em ditar regras no perfil alheio, em usar o nome de Deus para atacar, em se infiltrar na escolha de outro para ofender ou corrigir. Se algo não te serve, passe adiante. Silenciar diante do que não ressoa também é um ato de sabedoria. Entrar na casa de alguém só para cuspir juízo revela mais sobre quem entra do que sobre quem está ali, abrindo as janelas com o coração.
O novo sempre assusta quem se alimenta de certezas. O diferente ameaça aqueles que ainda precisam da validação externa para se sentirem seguros. Mas quem ousa ouvir a própria alma, quem caminha com os pés no chão e o ouvido voltado para o invisível, sabe que há mais verdade no silêncio da escuta interna do que em muitas falas cheias de autoridade. Não há irresponsabilidade maior do que afastar pessoas do sagrado por medo do que elas possam descobrir sozinhas.
A espiritualidade que me move não pretende convencer ninguém. Ela apenas existe, como existe o vento, como existe o mar. E como tudo o que é da natureza, ela é livre. Não precisa de aprovação para ser o que é. Não busca agradar, busca despertar. E o despertar, por si só, já é um risco para quem prefere dormir.
Se há quem me chame de irresponsável por seguir minha intuição, por criar pontes com o invisível sem usar os caminhos conhecidos, eu aceito. Aceito esse julgamento com a mesma firmeza com que sustento o meu altar interno. Porque o meu compromisso não é com o medo dos outros, é com a minha verdade. E essa, graças aos deuses e às deusas, não pode ser retirada por decreto.
Enquanto uns defendem suas tradições com violência, eu sigo honrando o que me transforma em silêncio. Porque há mais risco em não se ouvir do que em ousar mudar. Há mais escuridão na intolerância do que na dúvida sincera. E há muito mais luz onde há liberdade de ser.
Com Amor, respeito e magia,
Ella
Amo te ver gigante.

