O Chamado da Alma Selvagem

Vivemos em uma cultura que nos ensina a sermos qualquer coisa – menos quem viemos ser.

O tempo todo, de maneira direta ou sutil, somos moldadas para caber. Para nos ajustar. Para suavizar as bordas daquilo que em nós é força, instinto, pulsação. Dizemos que podemos ser poderosas, desde que não ameacemos ninguém. Podemos ser livres, desde que não ultrapassemos certos limites. Podemos sentir, desde que isso não nos torne intensas demais.

E assim, pouco a pouco, nos afastamos da essência selvagem que nos habita.

Nos afastamos da intuição que sempre soube.
Do corpo que sempre sente.
Dos arquétipos que dançam dentro de nós — e que o mundo quer a todo custo silenciar.

Essa cultura nos convence de que a força feminina precisa ser domesticada. Que uma mulher que sente demais, que deseja demais, que se move livremente por sua própria vontade, deve ser contida, corrigida, encaixada em um molde mais aceitável.

Nos afastamos da nossa Alma Selvagem, aquela que escuta o chamado da floresta interna.
Da Curandeira, que traz na intuição a sabedoria das matriarcas antes dela.
Da Guardiã, que protege o que é sagrado.
Da Criadora, que transforma a dor em renascimento.

Nos ensinam a nos desconectar do corpo, para esquecer que ele é casa e altar.
Nos ensinam a desconfiar do prazer, como se ele não fosse um direito, mas uma culpa.
Nos ensinamos a temer nossa própria voz, a nos calar diante daquilo que queima nossa alma.

E assim, seguimos nos diluindo.

Nos tornamos mulheres que vivem para agradar, para escolher, para se encaixar.
Mulheres que sorriem quando querem gritar.
Que pedem desculpas por ocuparem espaço.
Que escondem suas verdades para não desagradar.

Mas a alma nunca se esquece.

Não importa quanto tempo passe. Não importa o quanto tenhamos nos distanciado da nossa natureza verdadeira. O chamado sempre vem!

Ele chega em forma de cansaço, quando nada mais parece fazer sentido.
Ele sussurra em nossos sonhos, trazendo imagens de algo que já esquecemos, mas que um dia fomos.
Ele ecoa no corpo, desejando dançar sem medo, correr para a floresta, mergulhar no mar, de rir alto, de existir inteira.

O chamado é um fogo que não se apaga.

E um dia, ele se torna impossível de ignorar.

Voltar para si mesmo não é um processo imediato. É uma jornada. Um desaprender. Lembre-se.

É olhar para o espelho e ver além das imposições.
É tocar o próprio corpo com reverência, sabendo que ele não precisa ser corrigido, mas reintegrado.
É sentir, sem medo do que vem.
É resgatar o prazer, a intuição, o instinto.
É honrar a voz que sempre quis ser ouvida.

É lembrar que nunca fomos apenas carne e ossos. Sempre fomos força, sabedoria e mistério. Sempre fomos feitas de terra e estrelas.

Nós nos desconectamos do selvagem, mas nunca poderiam arrancá-lo de nós.

Porque ser selvagem não é correr para o mato e abandonar tudo.
Ser selvagem é saber que dentro de você existe um espaço que ninguém pode domesticar.

Ser selvagem é saber que você é livre.

Então me diga, mulher: você já ouviu o chamado? Você está pronta para lembrar da sua Alma Selvagem?

Amo te ver grande!!! Com amor,

Ella